terça-feira, 28 de abril de 2009

Ciúme e outras questões...

Como os que me conhecem sabem, eu adoro psicologia evolucionista. Acho que, se determinado comportamento contribuiu diretamente para a sobrevivência da espécie (da espécie e não do indivíduo), ele não pode ser desconsiderado ou avaliado negativamente sem cuidados. No entanto, diversos deles entram em choque com nossa cultura e isso também não pode ser menosprezado.

Por exemplo, desde a década de 50 (aproximadamente), a ejaculação precoce é condenada ferozmente, a maior queixa dos consultórios de terapia sexual. Eu, particularmente, não considero a melhor coisa do mundo, rs. Vocês sabem que é um dos maiores motivos de estarmos aqui hoje? Ou vocês honestamente acham que os homens da cavernas que demoravam 2 horas para gozar foram nossos ancestrais? Esses foram eliminados em sua maioria, Darwin explica. O lance era fecundar o maior número de fêmeas o mais rápido possível, antes que um predador chegasse. Imagine a motivação para continuar ao aparecer um leão... Seria um mènage-a-meow? Claro que não, os que fizeram isso MORRERAM e não passaram seus genes adiante.

Eu li um artigo que falava sobre a função evolutiva do ciúme, um sentimento que é encarado por nossa cultura de forma estranha. Se ele não ocorrer dentro de uma relação, é ruim e o indivíduo é punido socialmente; se ele existir em excesso, é ruim e o indivíduo é punido socialmente. Ou seja, devemos ter ciúme com moderação. Porra de sociedade da moderação...

Eu, particularmente, penso que o ciúme é uma questão territorial, ao demonstrá-lo, o indivíduo está marcando seu território. Essa seria a função evolutiva do ciúme. Esse lance de paraísos aborígenes onde o ele não existe é viagem de antropólogo drogado, já foi comprovado que ele é presente na maior parte das culturas (para não dizer em todas) em maior ou menor grau. E para completar, o ciúme (desde que com a PORRA da moderação) é reforçado culturalmente. Dizem ser uma espécie de "tempero do amor", "se você ama, tem ciúme"...

Porra nenhuma! Ciúme não tem nada a ver como amor, tem a ver com território. Você sente ciúme de uma pessoa porque ela é "sua propriedade" e você não quer que ninguém invada, só falta fazer xixi em volta.

Por outro lado, acho o conceito de amor livre um barato, muito bom em teoria. Na prática, pode funcionar em alguns casos (são as exceções que sempre existem) e por algum tempo, desde que a questão do território não exista. Para funcionar, é preciso que haja sinceridade e, a meu ver, sinceridade é um comportamento bastante positivo para algumas pessoas, mas nada favorável para a perpetuação da espécie.

P.S: Skinner diria ,(e eu concordo), que nem todo comportamento que foi fundamental para a evolução e perpetuação da espécie é o mais positivo nos dias de hoje. Ejaculação precoce já foi o must, mas não vejo sua importância hoje em dia e não gosto nem um pouco.

3 comentários:

  1. Os genes da obesidade foram fundamentais para a sobrevivência da espécie durante a Era Glacial... e olhe só como nós, lipídeos-friendly, somos tratados hj em dia...

    - Felipe

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. "P.S: Skinner diria ,(e eu concordo), que nem todo comportamento que foi fundamental para a evolução e perpetuação da espécie é o mais positivo nos dias de hoje"

    Heh. Lembrei, o biólogo - acho - Richard Dawkins disse, jocosamente, que a inteligência já foi uma característica fundamental para a sobreviência da espécie, mas que talvez hoje em dia não seja a melhor... ;-)

    - Felipe

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